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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SOBRE AS PESSOAS E SUA INFAME PREDILEÇÃO POR BABAQUICES

Existem facetas de nossa personalidade difíceis de explicar, e esse espaço pode servir um pouco para cumprir esse papel.

Das coisas que mais me afligem em minha vida, sempre vou dizer que é a minha grande diferença de pensamento com a maioria das pessoas.

Sempre termino tendo que me policiar para que ninguém "estranhe" meu comportamento ou atitudes e conclusões das coisas mais corriqueiras, que para mim deveria ser óbvio. Vou dar exemplos para a coisa ficar mais clara.

Primeiro, a maior diferença de todas é que praticamente que todo mundo tem superstições ou fé em coisas que eu simplesmente não consigo achar razoáveis.

Sim, talvez a maior diferenciação entre mim e os que me rodeiam é que sou um adepto da lucidez, do ceticismo, logo, só posso ser cético/agnóstico, portanto descrente. Minha consciência não gosta de ser enganada, nem por ela própria, e assim não tenho deuses a venerar, nem demônios a temer. Como diz meu pai, só tenho medo de marimbondos... e como bem disse o genial cientista Carl Sagan, não temos que crer, temos que saber!

Pois bem... Vamos lá: A realidade é que vivemos numa sociedade de supersticiosos/religiosos, verdadeiros "maria-
vai-com-as-outras", exímios "macacos de imitação".

Só isso já me traz constantemente problemas mil, onde preciso ficar contornando as diversas firulas sociais a que me vejo enredado.

Ainda mais nesses tempos atuais, onde todo mundo parece estar virando evangélico. E é um tal de oração pra lá, abençoado para cá, só Jesus, tá amarrado, etc.

Muitas das vezes, eu consigo passar despercebido, fingindo não notar, mas volta e meia me escapa alguma cutucada, algum comentário ferino, onde logo demonstro meu descaso para todo esse jargão ou comportamento religioso.

Tipo, ao me despedir de um crédulo, ele diz "Vai com Deus", e eu respondo sorrindo: "Precisa não... deixa ele aqui com você...", e logo vejo os olhos arregalados do incauto, que a partir daí, passa a falar de mim pelas costas... Em ambiente de trabalho dá logo para perceber...

Em reunião de pais, nos colégios, já me vi tendo que ficar de pé, de mãos dadas com dois caras (argh!) para orar, pois a diretora pediu, assim de repente, do nada, como se todos fôssemos crentes.

No ano seguinte, eu prevendo tal atitude novamente, me levantei e dei um passo atrás, me escorando numa pilastra, teclando a esmo no celular, para disfarçar aquela situação ridícula...

Mas não adiantou, pois isso atraiu alguns olhares desconfiados. Com certeza fiquei mal visto a partir daí, gerando obviamente comentários dos mais chocados...

Outra coisa que abomino é ter que sempre dar "Bom dia" (Ô troço besta!!!).

Tem sempre alguém para acrescentar ao ritual, aquele que passamos por ele ao ir trabalhar, o o vizinho meio fechado que fica olhando.

A coisa "evolui" rapidamente de um "Oi", para um "Oi, tudo bem?" e logo chega ao "Bom dia". Aí ferrou, meu amigo, AQUILO VAI SER PARA TODO O SEMPRE. Realmente acho idiota. Bastava o "Oi...", e olhe lá!

Acho que "Bom dia" deve ser usado quando chegamos num ambiente estranho, tipo uma sala de espera, sei lá!

Para quê dar bom dia, por exemplo, em casa, ou para parentes, ou para colegas de trabalho? Só se não houver intimidade... Mas vejo que mesmo íntimos, todos esperam mais que um simples "oi"...

Fora a falsidade de alguns que ficam prolongando a tortura, para além do "bom dia".

Você sabe quando tem uma pessoa que quer mais é que você "se lasque", mas finge que não e fica te perguntando "-Como foi o final de semana?" ou "-Como vai a família?". Ora bolas, eu acho isso muito chato,  pois parece uma tentativa de sondagem em sua vida íntima.

Tem também os rituais em que somos praticamente obrigados a participar, ou seremos repudiados como leprosos.

No trabalho, sempre tem aquela infeliz lista de aniversariantes, em que sempre rola um bolo com refrigerantes no refeitório, com todo mundo (menos eu!) cantando e batendo palmas idiotamente o famoso "parabéns pra você!".

Aí vem a seção de apertos de mão, beijinhos e tapinhas nas costas, inclusive de pessoas que não querem seu bem. 

O máximo da falsidade e hipocrisia. Eu já nem fui almoçar em alguns empregos no dia de meu aniversário, tal a babaquice que eu presenciava no aniversário dos outros. E TODO MUNDO PARECE GOSTAR!!!! EU NÃO ENTENDO!!!

Não entendo REALMENTE como uma pessoa possa gostar de ser o centro das atenções numa hora dessas... Quando criança, ainda dá para entender, mas um adulto no meio de uma roda viva de pessoas, metade apenas fingindo que está feliz, e sendo parabenizado POR MOTIVO REAL ALGUM (a terra deu mais uma volta? Pprfzzz...) é uma das coisas mais sem noção que um grupo pode fazer uns com os outros.

Cães gostam de cafunés, eu não!

Fora as babaquices habituais que tenho que fingir que ligo, como dia das mães, dias dos pais, dia das crianças, páscoa, natal, AH VAI TOMAR BANHO!!!!! Eu não sinto nada, nem vejo nada nessas datas. É tudo ilusão para bobos.

Tenho certeza que a verdadeira alegria está em outro lugar.

Por isso, concluí, já há muito tempo, que uma boa parte dos conflitos que vivo pelos ambientes sociais afora, é ficar mal por ter que fazer o que todos esperam, MAS NÃO FAÇO!

Quando eu era bem novo, até que disfarçava "para não magoar/chocar", mas ficando mais velho, a paciência acabou!

Hoje, só faço "festinha" do tipo se for para criancinhas. Adultos, CRESÇAM!!!!!

É por essas e outras que sinto muitas vezes uma estranha sensação de ter caído nesse planeta indevidamente, como se fosse um et (E)decildo (T)avares?, ou então ter vindo de um tempo distante, de uma outra civilização, de tanto que não tenho a ver com as pessoas ao meu redor. Pelo menos a maioria delas...

...Pronto, falei!

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